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Minimalismo Zen

Minimalismo Zen

12 de Dezembro, 2019

Destralhar cá Dentro

DSC_4813.jpg© Fernando Dinis - All rights reserved

Ao falarmos de Minimalismo, surge imediatamente a ideia de destralhar. Ainda que esta palavra não exista, entende-se facilmente o seu uso informal. Destralhar é limpar a tralha, livrarmo-nos dos objectos sem utilidade e ganhar espaço e ambiente mais sóbrios e leves em nosso redor. Existem minimalistas extremos, tais como o japonês Fumio Sasaki ou a sul-coreana Youheum, que conseguem contar pelos dedos os objectos que têm em sua casa. Outros não tão extremistas, por exemplo o realizador Matt D'Avella, optam por vestir sempre a mesma roupa, tendo 20 peças totalmente iguais.

Há que entender que cada um deles (e cada um de nós) teve o seu percurso, a sua motivação para algo que os inquietava e para o qual encontraram a sua íntima resposta. O Minimalismo não é uma ciência exacta inflexível e tem tantos patamares quantos os que à própria pessoa dizem respeito. E isto é o mais bonito de tudo.

Nesta foto, ainda que seja um dos meus guarda-roupas, não se simboliza a minha posição no Minimalismo. Digamos que percorro o estágio interior do destralhar. Pessoalmente, e nesta fase da minha vida, experencío o minimalismo a nível mental. Procuro nao sobrepor pensamentos, praticando a atenção plena, falarei disto brevemente. Evito lugares ruidosos, espaços onde existam demasiadas pessoas. Podemos fazer as compras que precisamos nas horas de menor afluência. Mas estes são os pontos mais vísiveis da nossa escolha interior.

Se quisermos ir mais fundo, e a determinado momento da nossa vida penso que todos passamos por esta viragem, decidimos guardar a nossa energia para conversas que nos permitam aprender e partilhar conhecimento. Existem pessoas tóxicas (não falo de energia ou negatividade) que nos inundam com banalidades que entram em confronto com a leveza e foco que andamos a tentar conquistar interiormente. Pessoas que partilham o seu vazio ou a sua procura pelo supérfluo que claramente entram em dissonância com tudo o que estamos a tentar construir (ou desconstruir). Não tenhamos medo de segurarmo-nos ao nosso caminho, que sabemos necessário e intrínsecamente importante. Destralhar interiormente não se trata de afastar pessoas de nós. É decidir o que queremos experenciar, o que nos é realmente valioso e, em última instância, ter controlo e decisão sobre o que queremos para a nossa mente. Porque somos nós que vivemos com ela.

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