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Minimalismo Zen

Minimalismo Zen

27 de Janeiro, 2020

Olhar no Escuro

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© Fernando Dinis - All rights reserved

A vida é uma fonte de sofrimento permanente. Buda deixou isso bem claro nos seus escritos que perduraram nos anos e encontram hoje propósito mais do que nunca. A doença, a velhice, a violência, a morte, a pobreza, continuam a ser fontes de sofrimento incontroláveis, inesperados, cruéis e quase sempre fatais. Nada podemos contra eles, não está nas nossas mãos a sua resolução e por isso se desenvolvem ferramentas para as melhor aceitarmos e compreendermos.

Mas tudo isto parece não ser suficiente ao ser humano. Hoje experenciamos sofrimentos evitáveis, desnecessários, frutos apenas de uma assustada fuga de um vazio interior. A inveja, o desejo superficial, a avareza, a vaidade, o ódio, a maledicência são manifestações que se tornaram uma suposta normalidade de olharmos a vida. E ainda que algum destes sentimentos nos dê a ilusão momentânea de que a nossa vida é frutuosa, rica em acontecimentos, superior à de muitos e por isso obrigatoriamente mais feliz, sabemos, no nosso mais profundo interior, que apenas estamos a encapotar a nossa fragilidade. Mas alimentamos esse ciclo de pequenas distracções e bem-estares efémeros numa espiral que não pode parar, e que apenas nos cansa, nos desvitaliza e nos faz adiar um entendimento necessário.

É como tentar ver no escuro, sem ceder à tentação de acender um candeeiro. Temos tanto receio desse lado sombrio, que nem damos aos nossos olhos tempo para se habituarem e conseguirem discernir algumas silhuetas. Vamos ligando e acendendo luzes, lâmpadas, velas que têm sempre uma duração limitada. É mais fácil. Vemos melhor os outros. Os caminhos que decidimos percorrer. 

E olharmos para o nosso interior? Conhecermo-nos melhor e com consciência não requer qualquer iluminação artificial. E naquilo que julgamos ser um escuro permanente e assustador, triste e sombrio, pode estar a chave para o nosso conhecimento e total aceitação pessoal. 

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