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Minimalismo Zen

Minimalismo Zen

Não preciso de Mindfulness

17950808_uybwl.jpeg© Fernando Dinis - All rights reserved

Vamos esclarecer este mito. Todos precisamos de Mindfulness. Todos precisamos de ferramentas para apaziguar a nossa mente. Somos saudáveis com o corpo. Fazemos desporto, tentamos ter uma alimentação saudável. Mas o que fazemos para manter a nossa saúde mental?

Os tempos actuais inculcam-nos a ideia de multitasking, uma capacidade de acumular tarefas quando na maior parte das vezes elas são inconciliáveis. Se são inconciliáveis, não são naturais, se não são naturais estamos a exigir à nossa mente um comportamento adverso à nossa génese. Nada de bom poderá ser alcançado com a repetição desses erros.

Assistimos diariamente a pessoas a falar ao telemóvel enquanto caminham. Se as seguirmos por breves segundos constatamos que não caminham em linha recta; a velocidade do andar oscila consoante a intensidade da conversa; chegam a parar para verificar se escolheram a rua certa na última esquina. Onde está afinal a atenção dessa pessoa que tenta fazer duas actividades aparentemente simples? Na pessoa com quem fala ou no caminho que tem de escolher? Em nenhum dos dois.

Estudos científicos revelam que a nossa mente está distraída 47% do tempo. Numa pessoa que durma 8 horas por dias, e estando 16 horas acordada, significa que estará distraída 7h30m do seu dia; a acumular tarefas e pensamentos, ideias, sentimentos e sensações.

A agravar este estado de turbulência, de exacerbação, e ao tomarem noção de que não estão felizes (ninguém é feliz no caos), muitas pessoas entregam-se afincadamente ao trabalho, activamente, pensando assim diminuir a sensação de inquietude que, sem saberem por que existe e de onde vem, tentam sobrepor e disfarçar com a sensação de dever cumprido. Chegamos um ponto crucial: que nome damos a esta sensação de inquietude e desconforto, quase até de insegurança? Stress.

Fácil. Se estamos com stress há que eliminá-lo imediatamente. Fazer exercício físico? Sem dúvida! Começam as corridas à hora do almoço para o ginásio que até fica perto do emprego. Salta-se de máquina em máquina, toma-se um duche rapidamente porque ainda há que comer em 10 minutos antes de ir trabalhar. Será esta libertação de endorfinas suficiente e benéfica que compense o desgaste mental que estamos a acumular a tudo o resto que já estava errado em nós? Mais não fazemos que acumular várias camadas de adversidades para a nossa saúde mental e consecutiva intranquilidade.

Todos nós precisamos de Mindfulness, e para isso não é preciso abdicar de nada para o concretizar. 10 minutos diários poderão fazer diferença e desencadear uma enorme transformação individual.

Deixo um pequeno exemplo para avaliarmos o nosso estado de inquietude. Agora e mais uma vez sobre uma premissa básica do minimalismo. Não arrumamos as coisas num sítio certo por acaso. Com essa decisão não só estamos a organizar o nosso espaço como a oferecer à nossa mente um descanso. Se pretendo um garfo, eu sei que tenho de me dirigir à cozinha. Nela há um móvel com gavetas e que na primeira gaveta encontrarei os talheres, onde lá estará o garfo que necessito. Se tudo estiver arrumado no seu sítio próprio não necessitamos de obrigar o cérebro a repetir o raciocínio da procura, e resguardamos a nossa mente da incerteza de encontrar ou não o que procuramos.

Tudo isto parece demasiado óbvio. Pensem agora como está organizado o desktop do vosso computador.