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Minimalismo Zen

Minimalismo Zen

Vamos Meditar?

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© Fernando Dinis - All rights reserved

Vamos aprender algumas ferramentas que nos permitam Meditar com grande facilidade, ressalvando desde já que não existem fórmulas mágicas e eficientes para todas as pessoas. Todos somos diferentes, com ritmos e graus de entrega intrínsecos que devemos respeitar. Pedir a alguém que nunca fez meditação que faça 60 minutos de Zazen (meditação budista zen, sentado sobre um zafu, virado para uma parede, completamente imóvel) não será a melhor forma de começar. A seu tempo tudo acabará por fazer sentido. Até lá, tudo terá de ser aprazível e com resultados visíveis de melhorias e bem-estar.

Bastam 10 minutos diários e existem variadas formas para o fazer. Para facilitar quem se inicia, resumi em dois blocos importantes as inúmeras possibilidades.

 

Forma Activa – Meditação (10 minutos diários)

Forma Passiva – Tarefas do Quotidiano (caminhar, mastigar e saborear a comida, lavar um tacho, aspirar o chão).

 

Forma Activa – Meditação

Não é necessário queimar incenso, não é necessária qualquer imagem de Buda, nem recitar mantras tibetanos. Decidir meditar tem de ser tão natural como decidir sentarmo-nos um pouco no sofá e assistir a uma série de que gostamos muito.

Podemos fazê-lo sentados confortavelmente ou até mesmo deitados (atenção que se estivermos demasiado cansados, corremos o risco de adormecer, e ainda que seja isso o que o nosso corpo peça, não é o pretendido nestes 10 minutos).

As primeiras vezes que meditamos, algumas coisas poderão revelar-se como distrações, até mesmo o silêncio. Será importante nas primeiras vezes ouvir músicas calmas e relaxantes e que não exijam demasiado da nossa atenção. A ideia é termos algo onde concentrar a nossa audição para que não dispersemos nos diversos sons exteriores. Existem músicas próprias para meditação, já com 10 minutos de duração. Deixo o link de 2 músicas da minha autoria que poderão ser úteis. Poderão facilmente encontrá-las no Youtube pesquisando por Fernando Dinis Meditation.

https://www.youtube.com/watch?v=SjhA37qpEzw

https://www.youtube.com/watch?v=92rmEF6CGvM&t=550s

Durante a meditação, poderá ocorrer uma sensação contraditória: Ter demasiados pensamentos. Uns a seguir aos outros sem cessar. Muitas pessoas pensam que estarão a fazer qualquer coisa de errado. Tudo está certo. Tomámos a decisão de parar para escutar a nossa mente. É normal que ela se revele mais faladora do que nunca, apenas nunca tínhamos realmente parado para a ouvir. Por isso a música poderá ser uma grande aliada neste começo. Concentremo-nos nos sons, nos diversos instrumentos que surgem suavemente. Aos poucos, a nossa concentração irá permitir escutar a nossa respiração. Meditar com a atenção focada na nossa respiração é uma das melhores práticas, pois ganha-se uma sintonia muito grande com o nosso corpo. Teremos o prazer de perceber que a respiração torna-se mais profunda e até que os nossos batimentos cardíacos diminuem consideravelmente. Conseguimos estar tão atentos ao ar que respiramos que distinguimos as diferenças de temperatura nas nossas narinas: o ar que entra é fresco e o ar que sai é tépido.

Existem também muitas meditações guiadas. São gravações com vozes calmas que nos vão dando instruções, sobre como respirar, que postura ter, pensar em determinada parte ou membro do nosso corpo, ou a pedir que nos imaginemos no meio de um bosque ou à beira de um rio, ouvindo o suave correr da água. A app Insight Timer tem milhares de meditações prontas (mesmo em português), com a vantagem de podermos ouvi-las em qualquer lugar. 

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.spotlightsix.zentimerlite2

Mais não fazemos que dizermos à nossa mente o seguinte: “Durante estes 10 minutos vais descansar desse corrupio frenético de pensamentos. Vais parar de sobrepor camadas sobre camadas de preocupações, de tarefas que ficaram por fazer e me inquietam ou de projectos que têm de se concretizar no futuro, forçosamente. “

Podemos pensar mesmo numa certa educação da mente. Estamos a mostrar-lhe que existe uma segunda opção para lá do caos, da ansiedade pelo futuro, da mágoa pelos erros do passado. Tudo pode cessar durante esse curto espaço de tempo, e a sensação de libertação é tão grande que entenderemos facilmente o porquê de tantas pessoas meditarem.

 

Forma Passiva – Tarefas do Quotidiano

Nada é mais desgastante que estar a fazer uma tarefa e pensar que teremos outra a fazer logo de seguida. As tarefas do nosso dia-a-dia são uma óptima matéria-prima para colocarmos a meditação em prática. Se aspirarmos o chão, pensemos apenas nisso. Concentremo-nos no pavimento que vai ficando limpo, na área do tapete que se revela mais brilhante à passagem do aspirador, no lixo que estamos a remover do espaço que habitamos. Pensar nisso e fazê-lo calmamente, leva-nos à comparação de estar a remover da nossa mente pensamentos tóxicos, indesejados e desnecessários. Se esfregamos um tacho, façamo-lo com brio, retirando toda a gordura mesmo nas partes mais difíceis, da mesma forma que desejamos retirar da nossa mente panoramas negativos sobre o nosso futuro. Ao retermos a nossa concentração numa ação concreta, estamos a delimitar o espaço volátil onde surgem e se espraiam todos os pensamentos indesejados. Estamos focados e entregues a uma actividade, a concentrar a nossa energia numa só coisa e a não pensar no que virá a seguir. São processos simples mas que darão uma sensação imediata de leveza, conforto e até de proteção.

À medida que repetimos estas duas possibilidades de meditação, estamos a interiorizar processos e ferramentas para situações futuras adversas.